domingo, 15 de abril de 2012

O naufrágio da ''Belle Époque''



A tragédia concebe a situação mais impotente pela qual o ser humano pode ser submetido, enquanto ser afetivo. A tragédia arrebenta, a tragédia implanta o pessimismo, a tragédia rebaixa a carapaça imponente da raça humana. A tragédia apresenta aspectos aparentemente perturbadores, mas que podem ser convertidos em possibilidades reacionárias se analisados em específico, com um olhar crítico, desgarrado dos valores sentimentais. Há cem anos, o mundo assistia a uma das maiores tragédias da história. O naufrágio do transatlântico Titanic, devido às enormes proporções, em todos os sentidos, deixou o mundo engasgado. Mas, não nos preocuparemos aqui, em relatar números e características do acidente, vamos direto ao ponto: Seu significado. Sim, qual teria sido a moral histórica da tragédia com o maior navio de passageiros daquele tempo? Que consequências teria gerado o gigantesco acidente no tocante à autoestima da Europa?
Pois bem, façamos um breve relato ambiental do cenário. A primeira classe do navio levava ícones da alta burguesia europeia e norte americana. Membros de clãs industriais fortemente amparados pelo rico e produtivo comércio internacional, baseado na conquista de mercados consumidores na África e no continente asiático, senhores de escravos aproveitadores do neo colonialismo e de suas vantagens lucrativas, donos de jazidas de pedras preciosas, em fim, todo o glamour, toda pompa, toda demonstração de luxo e ostentação circulavam no interior da primeira classe do navio. Vitrines ambulantes da BELLE ÉPOQUE, exibindo seus artefatos reluzentes banhados a ouro, prata, bronze e sangue. Um ambiente saturado de negociações milionárias e planos visionários. Isso era a primeira classe do RMS Titanic, o retrato da gloria europeia.
Do outro lado, a 3ª classe. Do outro lado, não: NO FUNDO DO NAVIO! Uma sociedade oprimida, fugitiva da realidade toxica da Europa, da miséria, do desemprego, da intolerância e da vida marginal. Pessoas que levavam na bagagem o sonho americano de prosperidade, atraídas pela propaganda que prometia uma vida melhor. Mães e pais de família, crianças, jovens e idosos, carregando no peito a esperança e o sonho de milhares de outras pessoas que não tiveram o prazer (ou a sorte) de embarcar rumo a América. A 3ª classe do Titanic, muito ao contrário da primeira, era o retrato da angustia e da triste realidade do submundo da Europa. Milhares de operários, trabalhadores autônomos, pequenos comerciantes e outros cidadãos que nem mesmo se enquadravam nas descrições anteriores.
O navio mais luxuoso do mundo era, de forma incrivelmente conjunta, um micro cosmos da sociedade europeia, colocando no mesmo espaço físico realidades que representavam os contrastes da Europa do início do século XX. Um continente que, de um lado posava como centro cultural do mundo, que ditava moda, valores e costumes para todo planeta. Mas, do outro, produzia em larga escala uma massa de miseráveis dependentes do regime de trabalho hostil e que viviam, por sua vez, à margem da sociedade. A comoção da tragédia abalou a moral da Europa, abalou a confiança de todo o conjunto da sociedade.A catástrofe do Titanic foi a premonição do futuro deprimente do velho continente.

A Europa afundou com o Titanic.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A Zica dos "9" da monarquia brasileira.


Cronologia do Brasil Império:

Dia do Fico: 9' de janeiro de 1822
Primeiro Reinado: 1822 - 1831 = 9' anos
Regência: 1831 - 1840 = 9' anos
Segundo Reinado: 1840 - 1889' = 49' anos
Data da proclamação da Independência: 07/09'/1822
Anos 1800 = século XIX (19')
1 + 8 = 9'

Ultimamente, essa é uma questão que muito me intriga como historiador. Mais do que isso, ou, coincidências a parte, na condição de pensador de uma história ampla e aberta ao dialogo com outros universos, a chamada “Zica dos 9” (Batizada por mim, próprio) é muito curiosa. Gostaria de adentrar o campo da numerologia e descobrir que tipos de feitos esse roteiro de números 9 poderia ter causado para a monarquia. Como sou forasteiro em assuntos específicos ao conhecimento numerológico, por momento, ficamos apenas com o fenômeno que é, por sinal, bastante curioso e intrigante.

Hebert Rocha Jorge - Historiador / Professor.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Os TIRANOssauros, parte 2: Extinção?



Os grupos mais visionários do submundo da cadeia alimentar estão em festa. Mais um TIRANOssauro foi eliminado! A face humilhada do predador foi exposta aos quatro ventos que levaram sua imagem deprimente ao longe. O vento cheirava o amanhecer, como se um novo dia estivesse surgindo em algum lugar do mundo jurássico comandado pela inquietante lei do mais forte.
Embora festejem abundantemente, perturbações filosóficas incomodam a tão vitoriosa classe e seus semelhantes. Seria essa a extinção dos TIRANOssauros, ou apenas uma batalha vencida pela união incansável dos oprimidos predados? A vitória é definitiva? OU A PREDAÇÃO CONTINUARÁ DE ALGUMA OUTRA FORMA ENTRELINHADA?
Apesar da heroica vitória, as presas ainda continuam sendo presas. Eis a verdade intrínseca. A lei do mais forte continua selecionando seus afins, ninguém escapa de ninguém, todos em algum momento são postos a prova. Chega então o momento das presas, serão postas a prova pelo movimento suave, brutal e traiçoeiro da natureza animal. Agora o perigo é maior do que nunca avistado e elas estão impacientes à espera de um salto na cadeia alimentar, irão conseguir? Assim como a natureza, a verdade é filha do tempo. Esperemos, pois.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

O vôo sem volta para a França


Em 15 de dezembro de 1944, o major Glenn Miller subiu em um avião monomotor Norseman numa pista militar perto de Bedford, uns 65 KM de londres. Miller fora chamado para reger sua apreciada orquestra da Força Aérea e do exército dos EUA num concerto de Natal para as tropas aliadas na semana seguinte, em paris, já libertada. À última hora, pedira que fossem alteradas as instruções que recebera, de modo a poder chegar à frança antes de sua orquestra. Sempre Nervoso ao voar, Miller mostrou-se apreensivo com o monomotor, mas o seu companheiro de viagem, o coronel Norman Baesell, o acalmara. Pouco Tempo depois, o Norseman levantava vôo para nunca mais ser visto. Só na véspera do natal, a esposa de Glenn recebeu o comunicado ofocial do desaparecimento do marido. A polêmica do fato parte do princípo de que o avião de Glenn possa ter sido alvejado por fogo, sebe-se lá, inimigo, ou até mesmo amigo. A inexistência de inquéritos ou documentos em relação ao ocorrido gera desconfianças. A essa altura da guerra, de certo, as forças aliadas tinham problêmas muito mais urgentes para resolver: Acabar com uma guerra que já ceifara 45 milhões de almas. Boatos sobre um possível erro de comunicação da força aérea colocam ainda mais lenha na fogueira do caso. O avião de Miller poderia ter sido confundido e abatido por próprio fogo amigo. Pelas décadas seguintes, familiares e amigos de Miller correram em busca do esclarecimento do fato. Passados 65 anos, o que teria realmente acontecido com o maestro durante o trajeto? Teria sido seu avião abatido? e se foi, por quem? fogo inimigo, ou amigo? Provavelmente nunca saberemos de tal desfecho. Glenn Miller era um dos mais referenciados maestros da época, e sua morte fora um desperdício para o mundo da música. Seu vôo até os dias atuais, nunca encontrou o destino.

quinta-feira, 31 de março de 2011

OLD GRINGO! O NOVO POINT DO BALACOBACO!


Pra você, perdão, para o senhor, que já passou dos 70, mas ainda vive em busca de novas emoções, aqui está a loja que vai fazê-lo andar na moda sem largar o corrimão!

SE LIGA NESSA!

- Você que é ligado num som da pesada, não pode deixar de adquirir o aparelho auditivo 3 em 1 da panassonic. O quipamento de surdez que é dinamite pura e vem acoplado a um marca passo digital e uma dentadura laser!

Em breve, mais ofertas! ;]

quarta-feira, 23 de março de 2011

EUA: O país das soluções 360°


O leitor deve estar achando o título deste post um tanto quanto, esquisito? Mas, eu já explico. O que me ocorreu à tal inspiração superficialmente sem sentido, está no anúncio feito pela turma do "Tio Sam" hoje que simplesmente DESEJA passar o controle operacional dos ataques a Líbia à Organização do Tratado do Atlântico Norte, vulgo, OTAN. Confesso que fui possuido por um ataque de riso estrondoso tamanha a estratégia grotesca dos Estados Unidos da América de tirar o deles da reta de uma forma completamente GENIAL!

A "genealidade" a que me refiro é justamente no fato de transferir a resposabilidade dos ataques contra a Líbia a uma organização que é de criação e tutoria deste nobre país até os dias atuais. Traduzindo isso pro PORQUÊS* (Linguagem dos porcos) Não se iluda! Os EUA não tomaram uma atitude humanitária, é apenas jogo político. Ou seja, os ataques não seriam mais atribuidos ao nome direto dos EUA e sim da OTAN que serviria de FACHADA para as ações americanas. Neste caso, mesmo atribuindo a OTAN o comando das operações, os estados unidos continuariam como uma forma de "eminência parda" a participar do conflito.

Essa manobra 360° dos EUA é muito esperta, e merece nosssos aplausos e risadas. "Não somos nós quem estamos tacando bombas na Líbia e sim a OTAN" farinha do meu saco.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Uma Mata Hari dos anos 60


Em 1963, a Inglaterra foi abalada por um escândalo sexual que, devido ao cenário ideológico paranóico da época, tomou proporções diplomáticas indigestas. Me refiro ao estardalhaço provocado pela dançarina Christine Keeler, e que envolveu o então ministro da defesa inglês, John Profumo e um oficial da marinha soviética, Eugênio Ivanov. Superficialmente, tal ocorrência não passaria de mais um caso de idas e vindas da vida particular depravada de alguns membros do alto escalão militar europeu, não fossem as circunstâncias e historietas inventadas pela fertilidade hostil da mentalidade política internacional do período.

O ocorrido se assemelha ao famoso caso Mata Hari, uma cortesã que usava de seus encantos para transitar nos glamourosos epicentros da sociedade européia. Em idos de 1917, porém, foi acusada pelos franceses de espionagem e de prestar serviços de informação aos inimigos alemães. Segundo consta, Mata Hari foi condenada ao fuzilamento. Christine keeler, assim como Mata Hari, se usava de seus encantos de dançarina topless num cabaré para atrair e se valer da “generosidade” dos que a cortejavam. O grande fator problema da situação, se dá no fato de que, em pleno auge da guerra fria, Christine manteve relações afetuosas simultâneas com um membro do alto escalão das forças armadas da Inglaterra e outro, de mesma importância, da URSS. Bastou isso, para que explodisse dentro do reino inglês a suspeita de que Christine estivesse repassando informações militares confidenciais a Moscou.

Para a sorte de Christine, os reflexos da polêmica foram, de longe, mais brandos do que os atribuidos à Mata Hari. As conseqüências foram apenas midiáticas, pelo contrário, Christine ficou famosa. As análises porém partem do pressuposto de que tal caso de poligamia ocorrido na Inglaterra alcançou status diplomático. No início da década de 1960, a guerra fria atingira seu apogeu. As constantes ameaças entre EUA e URSS geravam uma sensível rede de informações que soavam o alarme contra a subversão ao simples toque. A forma como as situações eram lidas pelos sistemas de informação do ocidente, contava com uma sincronia de interpretações grotescas e que atingiam seus alvos a qualquer custo.

Apesar da riqueza de interpretações fornecida pela materialidade dos fatos, o acontecido com Christine Keeler apenas traduz a realidade temperamental do contexto mundial da época. Assim como Christine, milhares de pessoas no mundo ocidental, foram vítimas de acusações de espionagem parecidas, e muitas pagaram por isso. Em 1953, dado um exemplo, o mundo assistiu impotente a condenação do casal Julius e Ethel Rosenberg nos EUA mesmo nunca tendo sido provado que agiam em serviço inimigo. A guerra fria criou ao longo de seu curso, a incrível e implacável capacidade de fazer bodes expiatórios que eram usados, até por vezes, para encobrir falhas, exageros provocados pela mente fértil daqueles engajados na luta contra o inimigo invisível.