
Sem sombra de dúvida, o início do século XVI não foi nada tranqüilo para os franceses. Os problemas tinham início mesmo antes de começarem, a casa de Valois, dinastia reinante desde o século XIV, já se encontrava dando mostras de crise eminente. Campanhas hostis por territórios italianos e a ENCRENCA com o imperador germânico Carlos V deram o tom do destino da política francesa ao raiar da era moderna. O apoio da igreja católica nunca foi tão precioso nesse momento de incertezas do reino Frances. Por volta de 1519, porém, a igreja Francesa questiona as atitudes do primogênito da ultima linhagem dinástica dos Valois, o rei Francisco I (1515 – 1547), tudo por conta da chamada “Concordata de Bolonha” que significou uma das manobras políticas mais importantes para a consolidação do absolutismo francês. Através do acordo, passava à jurisdição do rei francês a total autonomia de nomear membros do alto clero sem interferências significativas. O problema, entretanto, revelou-se na contrariedade do clero francês em aceitar tal autonomia real e a quebra de algumas tradições da instituição religiosa. Com as estruturas abaladas, o reino Frances viu brotar, a partir de 1520 um novo problema, a expansão protestante.
Vale ressaltar que o continente europeu vivia o auge da Reforma Religiosa e parte da sociedade francesa foi rapidamente influenciada pelas doutrinas reformistas, dentre elas, o calvinismo. O alerta soou rapidamente no alto clero Frances e medidas imediatas “tentaram” ser tomadas a fim de conter o avanço das novas concepções religiosas. A igreja consultou o rei Francisco I cobrando atitudes, mas a resposta real foi firme e preocupante: “temos problemas maiores a resolver”. O rei se referia às disputas com o sacro império e em particular com seu imperador que exercia influência gigantesca na política do continente. As relações entre clero e rei se abalam e só a sucessão poderia trazer alguma novidade para a igreja. Com a morte de Francisco I assume o trono o rei Henrique II (1547 – 1559) que iniciaria de fato a contenção violenta ao protestantismo dentro da França.
Durante seu reinado, Henrique II, que se casara com Catarina De Medicis, entrou definitivamente na luta contra os focos protestantes dentro do reino. Os protestantes ou huguenotes tinham adesão de parte da pequena e média burguesia, além, de alguns chefes militares como, por exemplo, o Almirante Gaspar Coligny. Os focos mais resistentes dos protestantes estavam em regiões como La Rochelle e Le Havre no litoral oeste francês, dentre outras. As incursões militares foram constantes até as tréguas do final do reinado de Henrique III. Conspirações dos huguenotes com inimigos da França tais como a Inglaterra, acirravam ainda mais as disputas religiosas.
Enquanto huguenotes e católicos se digladiavam nas ruas de Paris e por todo território francês, a situação política do reino se complicava. A morte prematura do rei Henrique II exigiu a sucessão imediata. Seu sucessor legitimo, o filho Francisco de Valois, além de menor de idade, era portador de enfermidades graves e por isso as previsões já davam conta de que seu reinado não iria muito longe. Sua mãe, Catarina de Medicis é declarada regente do trono, mas um ano após o jovem rei vem a falecer. Os filhos e filhas de Catarina como o rei Henrique II eram enfermos pela proximidade de parentesco e a sucessão seria uma tarefa nada fácil. Assume então, mesmo sob a desconfiança geral, seu irmão com o título de Carlos IX que ainda menor de idade teve sua mãe como regente.
O reinado de Carlos IX resumidamente pode ser definido como um período de extrema manipulação de sua mãe Catarina e de famílias da corte, como os guise que lideravam uma facção católica radical, a liga católica. Em 1562, é editado o primeiro código de leis a fim de estabelecer concessões aos huguenotes, o Édito de Saint Germain. Através dele, o culto calvinista na frança seria liberado desde que fosse realizado fora dos limites urbanos e autorizou a criação de meios de defesa aos protestantes. A paz, porém, ainda era distante, pois o documento desagradou profundamente a elite católica reacionária comandada pelos guise. Em 1572, Catarina e o Duque Henrique de Guise encomendam o assassinato do Almirante Gaspar Coligny, mas o plano fracassa. A rainha mãe, então, convence o filho a repreender os protestantes e na madrugada de 24 de agosto algumas regiões estratégicas dos huguenotes são atacadas por forças enviadas pelo rei. Aproximadamente 2 mil protestantes foram massacrados enquanto dormiam no episódio que ficou conhecido como “Noite de são Bartolomeu”.
A sucessão de Carlos IX foi ainda mais dramática, as lutas religiosas e a fraca autoridade da dinastia decadente implantaram ainda mais caos na frança. Henrique III, sucessor de Carlos IX, não contava com apoio maciço da nobreza francesa e se sustentava por laços de fidelidade pouco arranjados. Por outro lado, os Guise iniciavam uma série de conspirações contra a família real em busca do trono, a guerra foi inevitável. O rei francês Henrique III se choca com o duque Henrique de Guise e inicia um conflito feroz pelo trono. O rei francês ganha o apoio do cunhado Henrique de Navarra e três Henriques entram em confronto pelo poder. Esse conflito, denominado como “guerra dos três Henriques” definiu os rumos finais da dinastia de Valois, uma vez que, com a morte do rei no conflito, Henrique de Navarra é coroado rei com o título de Henrique IV. Sua coroação, representou o fim dos Valois e o início da dinastia dos Bourbons.
Ps: Texto coloquial, sem compromisso com padrões*
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