
"Parar de tentar salvar a África". Definitivamente um tema controverso. Desde os tempos da descolonização africana no século XX, a situação do continente gera preocupações de ordem mundial devido ao conjunto de tropeços que se seguiram à divisão em nações independentes. A interferência internacional na organização dos estados africanos gerou um descompasso étnico dentro da própria áfrica. Isso tudo porque não houve respeito nem, tão pouco, conhecimento das diversidades étnicas africanas. As autóctones e ancestrais etnias africanas, quase sempre rivais, foram remanejadas de modo a conviver sob o mesmo teto. A disposição dos estados africanos uniu tragicamente territórios étnicos distintos e causou um verdadeiro estardalhaço dentro do continente. A luta dos africanos, agora, não seria mais contra os cruéis colonizadores europeus, mas sim contra eles próprios.
A violação territorial após a divisão, produziu um fenômeno catastrófico dentro de quase todo o continente: A formação de facções guerrilheiras. Tais organizações paramilitares chefiam localidades estratégicas da áfrica sendo alimentadas pelo tráfico de armas e extração de metais preciosos. O clima de instabilidade e guerra civil foi automaticamente criado pelos interesses internacionais controversos em emancipar os países africanos. O resultado de toda essa “lambança” é, sem dúvida, a calamidade social africana. A fome, a miséria e a falta de vida digna são produtos das equações mal resolvidas pela história.
Para tentar amenizar esse estado de coisas, ONG’s, artistas, empresas e fundos internacionais se propõem a ajudar o povo africano sedento por melhores condições de vida. Em 1985 os indicadores da pobreza na Etiópia levaram os mega astros da música e cinema a realizarem o LIVE AID. Bob Geldof, Sting, Dire Straits, Madonna, U2 e muitos outros levantaram a bandeira contra a miséria em dois shows simultâneos, um em Londres (UK) e outro na Filadélfia (EUA). Michael Jackson, também sensibilizado com a situação cria a campanha “USA FOR AFRICA” que reuniu grandes astros da música americana. Em 1988 os astros da musica se reúnem novamente para o concerto “MANDELA LIVE” que criou uma corrente mundial pela libertação de Nelson Mandela e o fim do regime de segregação racial da áfrica do sul, o Apartheid. Isso sem contar os projetos intra africanos de ajuda e erradicação da fome e epidemias.
As ações de auxílio ao povo africano dentro ou fora do continente são válidas, mas também produzem efeitos negativos na vida e na cultura africana. O povo ao ser auxiliado por fundos internacionais, missões religiosas, artistas dentre outros, perde sua identidade cultural. Costumes e línguas originárias são exterminados pela influência internacional. Religiões milenares e rituais ancestrais são massacrados junto com toda carga cultural hereditária.
Parar de salvar a áfrica não seria abandonar seu povo a própria sorte, mas sim, ajudar sem desrespeitar as diferenças culturais valorizando o conteúdo milenar de um povo que se originou da mesma Eva genética do restante da humanidade e que representa o início de nossa dominação na terra.
Nenhum comentário:
Postar um comentário